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Paróquia de S. Martinho de Bougado - Trofa - Resenha Histórica da Paróquia

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Resenha Histórica da Paróquia


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No princípio…

 

foral da maiaVelha de séculos, a fundação de São Martinho de Bougado – a Trofa de hoje – perde-se nas brumas medievais. A primeira citação que dela conhecemos – ainda com a designação geral de BOUGADO, mas dizendo respeito, sem dúvida, àquela parte do corónimo que já tinha ou viria a ter por padroeiro São Martinho – remonta ao século XI, antes, pois, de a Nacionalidade Portuguesa se haver constituído. Trata-se de uma doação de casais feita, em 1703, por Dona Gontinha ou Goncinha ao Abade do Mosteiro de Santo Tirso, Dom Gaudemiro – doação referida por Frei Leão de Santo Tomás na “Benedictina Lusitana”.

Assim escreveu o ilustre frade beniditino:

“O Primeiro Abbade, de q. achamos memoria depois da reedificação do Mofteyro, he hu chamado Gaudemiro pellos annos de Chifto 1073, como fe colhe de hua doação, de certos cafais em Bougado, & parte da Igreja de Ribeirão, q lho fez hua fenhora illuftre chamada Dona Gontinha, ou Goncinha, que morava junto ao rio Ave, & junto à ponte, que della parece tomou o nome com algua corrupção do vocabulo, porq ainda hoje fe chama ponte da Lagoncinha, por onde antigamente fe caminhava do Porto pera Braga. Efta fenhora foy molher de Dom Egas Ermiges, neto (fegundo alguns querem) do Infante Alboafar, & que procurou a fagração da Igreja do noffo Mofteyro de Paffo de Soufa.” [Frei leão de Santo Tomás, in “Benedictina Lusitana”, Parte I, Capitulo V, págs 23 e 24]

Esta é, portanto, a primeira citação conhecida. Mas está fora de dúvida que o povoamento de toda esta zona data de épocas muito remotas, pois diversos testemunhos de natureza arqueológica atestam a presença, nestas paragens, do homem pré-histórico. [Com efeito, e conforme nos dá notícia o ilustre arqueólogo Martins Sarmento, in “Revista de Guimarães”, vol. 5º nºs 157-159, aqui examinou ele vestígios da época dos metais – vários machados de bronze encontrados no lugar da Abelheira e hoje recolhidos na Sociedade Martins Sarmento em Guimarães – bem como a existência de várias Mamoas, localizadas duas no lugar de Ervosa e outras duas no Lugar da Abelheira. Também no antigo lugar de Paredes, junto à Avenida de Paradela, se acharam uma sepultura e diversos instrumentos de pedra (machado, martelo de sílex e seixos rolados), possívelmente do Período Neolítico].

imagem da trofa 10002Em toda esta região não faltam significativos sinais da época romana. Para além dos castros luso romanos – dos quais será de salientar o de Alvarelhos – e das necrópoles [de Bairros, da Maganha e do Campo de Rorigo Velho, em Santiago de Bougado], por aqui se encontram, desses tempos, aras epigráficas, marcos militares, moedas e lápides…

Por aqui passava também a via militar romana que de Olisipo (Lisboa) levava a Bracara (Braga), passando por Scalabis (Santarém), Conimbriga e Portucale. Dessa via, duas recordações existiram nesta freguesia: um marco miliário do tempo do imperador Carino, que apareceu junto à igreja paroquial, e uma pequena ponte romana, no lugar de Real.

Gozou sempre, pois, de uma excelente posição estratégica este território onde um dia havia de surgir uma humilde comunidade cristã, da qual São Martinho, o Apóstolo das Gálias, viria a ser o excelso Padroeiro. Mercê desse raro privilégio de se situar à margem de uma via militar, assistiu ao desenrolar de boa metragem do longo filme da história.

Estabelecidas na Península, nos princípios do século III antes de Cristo, as legiões do Lácio e alterada profundamente a vida dos clãs lusitanos, que das suas povoações das alturas (os castros) seriam coagidos a descer e a fixarem-se nas zonas aráveis e férteis da planície, viu passar, periodicamente, em missão de vigilância, até à total pacificação do território (e mesmo depois dela) os “manípulos” e as “centúrias” dos novos e poderosos senhores…


Séculos depois, chegada a hora do esfacelamento do Império (romano), nos alvores do século V, galgam os Pirinéus, rumo à “Terra da Promissão” (para eles, a Península), as hordas bárbaras. Tocam estas paragens da antiga Galécia aos germânicos Suevos que aqui se estabelecem e mantêm. E passa o nosso território (o da futura paróquia de São Martinho de Bougado) a fazer parte da área do reino dos Suevos que em Braga viria a ter a sua corte. Mas não por muito tempo. Os Visigodos, outro invasor germânico, já cristianizados por acção dos irmãos S. Leandro e S. Isidoro, de Sevilha, como os Suevos o tinham sido por S. Martinho de Dume, espalham-se por toda a parte, conquistam o reino suevo, e obtêm a total unificação geográfica da Península, após a ocupação, em 624, do litoral mediterrâneo. Assim surge a península Visigótica e Cristã.

[Depois…os muçulmanos - que o povo melhor conhece por Mouros – conquistaram o Reino Visigótico. 

Por aqui deve ter passado Abdelazir (filho de Muça) que, após ter tomado Lisboa e Portucale, aí por volta de 716, conquistou Braga, rumando depois para as terras que hoje constituem a Galiza, caídas igualmente em seu poder sem grande esforço. Entretanto inicia-se a reconquista Cristã, a partir das Astúrias (Pelágio) e de novo as pequenas comunidades percursoras da nossa paróquia assistem à passagem vitoriosa de tropas cristãs que empurram, para lá do Douro, os invasores islâmicos. Pelo ano Mil, ocorre a invasão de Almançor – uma espécie de Átila árabe – que vindo do Sul, retoma Portucale, Braga, Tui, Santiago de Compostela…, ante o pavor das populações. Fernando Magno, rei de Leão investe, por sua vez, e reconquista boa parte do território até ao Mondego. Destas lutas surge o Condado Portucalense e, com Afonso Henriques, Portugal]

[………….]

Quando se teria dado o aparecimento da nossa primeira comunidade cristã?(…) É natural – embora documentalmente se não possa provar – que, com o seu pequenino nicho ou oratório, tenha resultado, ali pelo século VI, do intenso labor cristianizante de São Martinho de Dume. E é possível também que já então tenha sido escolhido para padroeiro da pequena comunidade cristã o nome do grande evangelizador das Gálias, São Martinho de Tours, de quem o Prelado Dumiense era fervoroso discípulo e admirador (…). Grande foi, na verdade, a acção do “Apóstolo dos Suevos”, em tudo semelhante à do seu compatriota e homónimo – o “Apóstolo das Gálias”. Ao lado da organização monástica, que muito lhe ficou a dever, dedicou-se com igual zelo à organização paroquial… Para facilitar o apostolado entre as populações rurais e fazer chegar a toda a parte a doutrina cristã, compôs ele próprio o “De correctione rusticorum”, com que procurou não só instruir mas também desviar das superstições aquela gente humilde ainda eivada de paganismo.

Já a construção da primeira igreja e a nomeação do respectivo pároco – o alvorecer da paróquia – talvez tenhamos de as procurar mais tarde. Obra, certamente, dos beneditinos de Santo Tirso – a cujo mosteiro a igreja pertenceu até aos fins do século XIII (da nossa era) e de onde saíram os monges que até então a vieram paroquiar – é de crer que o seu aparecimento se tenha verificado pouco tempo depois da aquisição, por parte do mosteiro, dos casais doados por Dona Gontinha (sec XI). De resto, era essa uma das características da época medieval, em que para a difusão do Evangelho nos meios rurais o monaquismo ia edificando igrejas em terras que lhe pertenciam. (…) A pertença da igreja paroquial com os respectivos rendimentos ao Mosteiro de Santo Tirso – conforme foi declarado nas Inquirições de 1258 – confirma a tese de que a sua criação fora obra dos monges beneditinos, pois era então princípio aceite de que “abadava a igreja quem a edificasse, se tal direito não houvesse sido negociado”. E a justificar a sua antiguidade está o facto de à data daquelas Inquirições (meados do século XIII) não haver ninguém que soubesse, nem por tradição, desde quando ela pertencia ao dito mosteiro.

É de aceitar, pois, que já no século XI – mesmo antes de se constituir a Nacionalidade – a paróquia de São Martinho de Bougado era uma realidade.

[José Pereira da Silva, in “Trofa – S. Martinho de Bougado”, 1981, pág.s 9-20, síntese]

Gentilmente elaborado pelo Senhor Dr. José Domingues